Jon Spencer Blues Explosion – G1.com: ‘Devoto do rock’, Jon Spencer traz de volta ‘explosão de blues’ ao Brasil (PRESS, BRASIL)

27 July 2011 G1.com
NOTES:
Portuguese-language interview with Jon Spencer (scroll down for a rough English translation via google translate).
ARTICLE TEXT:
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O som cru, áspero, direto e barulhento do trio liderado por Jon Spencer remete mesmo à “explosão de blues” que dá nome à banda. “O Blues Explosion é definitivamente e diretamente influenciado por rock and roll. Somos devotos dessa música”, destaca o cantor, compositor e guitarrista em entrevista ao G1, por telefone, de Buenos Aires, horas antes de uma apresentação. E é justamente essa sonoridade “sem frescura” que os fãs brasileiros poderão conferir ao vivo nesta quinta (28), no Bourbon Street, em São Paulo, e no sábado (30), no festival Porão do Rock, em Porto Alegre. Esta é a terceira vez de Spencer no Brasil. A primeira foi no Abril Pro Rock, em 2001, junto dos companheiros de banda, Russell Simins e Judah Bauer. Na mais recente, em 2009, foi a vez de trazer o projeto de rockabilly Heavy Trash à capital paulista. “Foi quando conheci Zé do Caixão”, comenta o músico, que diz ser fã do personagem do cineasta brasileiro.

Agora, em 2011, o Jon Spencer Blues Explosion completa 20 anos de estrada: “É um pouco assustador perceber a distância percorrida nessa jornada e o quão duro trabalhamos”, comenta o cantor, que relançou boa parte da discografia da banda recentemente, recheada de material extra, como parte das comemorações. Leia a íntegra da entrevista com o músico, que falou ainda sobre o atual panorama do rock, suas influências musicais e o trabalho de reedição dos álbuns da banda, além da morte de Amy Winehouse.

G1 — Ao mesmo em que os integrantes do Jon Spencer Blues Explosion parecem ter uma relação visceral e de adoração com o rock, demonstram uma certa inquietação, como se quisessem desconstruir o gênero para transformá-lo em alguma outra coisa. Afinal, o que é rock and roll para você?

Jon Spencer — O Blues Explosion é definitivamente e diretamente influenciado por rock and roll. Somos devotos dessa música. Há um pouco de verdade no que você diz. Admiramos e reverenciamos esse tipo de música, mas não temos medo de alterá-la. O que acontece é que o rock é um gênero muito estranho. E acho que muita gente faz uma ideia errada do que é rock and roll. Se você olhar para os pais do gênero, como Elvis Presley e Little Richard, eles eram pessoas esquisitas fazendo um tipo esquisito de música. Era algo muito rítmico, chocante, sexual. Mas muita gente se esqueceu disso e de todo o sentido do rock.

G1 — Como analisa o panorama do rock atualmente?

Spencer — Continua o mesmo de sempre: pouquíssimas bandas boas e um monte de bandas ruins. E, iInfelizmente, são esses artistas ruins que mais tocam na TV e no rádio. Porque muitos deles são populares. É mais ou menos o mesmo processo relativo à comida. O consumo transforma as lanchonetes McDonald’s em algo popular. O mesmo acontece na arte, na cultura e no rock. A música verdadeiramente inovadora, arrojada, revigorante e ousada é muito forte. As pessoas não querem saborear nada com esse gosto. O consumo transforma as lanchonetes McDonalds em algo popular. O mesmo acontece na arte, na cultura e no rock. A música verdadeiramente inovadora, arrojada, revigorante e ousada é muito forte. As pessoas não querem saborear nada com esse gosto” Jon Spencer

G1 — Acha que falta seriedade por parte do mainstream musical com o rock?

Spencer — O rock and roll mudou o mundo. Isso já é uma coisa bem séria. Mas, se voltarmos mais uma vez a Little Richard e Elvis Presley, havia muita descontração no que faziam, era uma verdadeira alegria. E ainda havia muito senso de humor. O que criavam era arte séria, mas havia essa noção de “brincadeira” no processo. Acho que o rock ganhou muita importância por conta dos críticos e dos meios de comunicação. Ganhou muita visibilidade. Por conta disso, perdeu o foco e um pouco do sentido.

G1 — O Blues Explosion existe desde 1991. Que balanço faz dessas duas décadas de existência da banda?

Spencer — Muita coisa aconteceu durante esse período, que é também diretamente ligado às minhas experiências pessoais e tantas outras coisas. Mas acho que os primeiros 10 anos de carreira foram os mais trabalhosos e mais férteis para nós. Foi um período muito produtivo. Estivemos muito ocupados. Talvez por isso tenha passado tão rapidamente. Agora envelhecemos, é tudo muito diferente. Vivemos num mundo voltado para nós mesmos, aos mesmo tempo em que circulamos entre bandas muito mais jovens e que seguiram nossos passos. É um pouco assustador perceber a distância percorrida nessa jornada e o quão duro trabalhamos.

G1 — Parte da discografia da banda foi relançada recentemente. Participou de todo esse processo? Teve que ouvir todos os álbuns novamente?

Spencer — Sim, participei de todo o processo. Foi um projeto incrivelmente grandioso e me envolvi em cada detalhe. Ouvi não só todos os álbuns novamente, mas tudo mais o que produzimos, pois temos muito material extra. Queria relançar os discos da maneira mais completa possível e poder incluir tudo que foi produzido na época em que os álbuns foram gravados.

G1 — Ficou com vontade de mexer nos discos enquanto trabalhava neles outra vez?

Spencer — Não, acho que são grandes álbuns. Ainda tenho muito orgulho deles. E é justamente por isso que fiz questão de reeditá-los. Mas não tive vontade de mudar nada durante o trabalho.

G1 — Quando a banda vai lançar um disco de inéditas?

Spencer — Desde que voltamos a fazer turnês, no ano passado, temos composto um monte de músicas. Agora estamos discutindo a possibilidade de entrar em estúdio ou tentando gravar algumas dessas músicas novas de alguma forma. Sou um guitarrista com um estilo muito primitivo. Na verdade, ainda estou aprendendo a tocar guitarra” Jon Spencer

G1 — Você é autor de muitos riffs de guitarra. Se considera um “guitar hero”? Quais foram as suas influências no instrumento?

Spencer — Não, sou um guitarrista com um estilo muito primitivo. Na verdade, ainda estou aprendendo a tocar guitarra. E meus heróis não estão apenas entre os guitarristas, mas também em muitas outras áreas artísticas. Mas talvez meu maior herói na guitarra seja Link Wray. E também tive muita sorte por ter tocado com muitos bons guitarristas tanto no Blues Explosion, no Heavy Trash ou e no Pussy Galore.

G1 — Quais suas lembranças das vezes em que passou pelo Brasil?

Spencer — Estive no Brasil duas vezes. Na primeira, fui com o Blues Explosion, mas não me recordo muito dessa viagem. Mais recentemente voltei com o Heavy Trash, acho que em 2009. Dessa ocasião tenho muitas lembranças dos fãs e, em especial, dos lugares que tocamos, alguns deles bem intimistas. Adoro tocar nesse tipo de lugar, proporciona diferentes experiências. E foi também em 2009 que conheci Zé do Caixão. Chegamos a tocar uma música com ele. Foi fantástico. Ele é muito doce (pausa). Não! Não! O que estou dizendo? Pelo contrário, ele é muito assustador. Agora minha alma está amaldiçoada para todo o sempre (risos). Sou seu fã.

G1 — O que os fãs podem esperar dos shows do Blues Explosion desta vez? Já tem ideia do repertório que vão tocar?

Spencer — Vamos nos esforçar ao máximo para fazer o melhor show que pudermos, com muita emoção, animação, suor. As pessoas deveriam aparecer para conferir. Mas não fazemos setlist. Geralmente tocamos canções de todos os discos, mas só decidimos as canções depois de subirmos ao palco e captarmos o clima da plateia. Partimos disso.

G1 — O que tem a dizer sobre a trágica morte de Amy Winehouse?

Spencer —Nunca fui um grande fã, mas claro que é uma tragédia. É uma pena que uma pessoa tão jovem tenha morrido. Na verdade, é ruim perder qualquer pessoa. Mas não sei exatamente quais foram as particularidades de sua morte. Tenho a impressão de que ela tinha problemas. E que brincava com fogo.

GOOGLE TRANSLATE:
The raw, rough, loud and direct the trio led by Jon Spencer refers to the same “blues boom” which gives its name to the band. “The Blues Explosion is definitely and directly influenced by rock and roll. We are devotees of this music,” says the singer, songwriter and guitarist in an interview with G1, by telephone from Buenos Aires, hours before a performance. And it is this sound “no frills” that the Brazilian fans can check live on Thursday (28), in Bourbon Street, São Paulo, and on Saturday (30), the festival Porão do Rock, in Porto Alegre. This is the third time in Brazil Spencer. The first was in April Pro Rock in 2001, among bandmates, Russell Simins, and Judah Bauer. In the most recent in 2009, it was time to bring the rockabilly project Heavy Trash the state capital. “It was when I met Coffin Joe,” said the musician, who claims to be a fan of the character of the Brazilian filmmaker.

Now, in 2011, the Jon Spencer Blues Explosion celebrates 20 years on the road: “It’s a little scary to realize the distance traveled on this journey and how hard we work,” says the singer, who revived much of the discography of the band recently packed material extra, as part of the celebrations. Read the full interview with the musician, who also spoke about the current rock scene, his musical influences and work reissue of the band’s albums, but the deaths of Amy Winehouse.

G1 – the same as the members of the Jon Spencer Blues Explosion seem to have a visceral relationship and worship with rock, show a certain uneasiness, as if to deconstruct the genre to turn it into something else. After all, what is rock and roll to you?

Jon Spencer – Blues Explosion is definitely and directly influenced by rock and roll. We are devotees of this music. There is some truth in what you say. We admire and revere this music, but not afraid to change it. What happens is that rock is a genre very strange. And I think many people make a wrong idea of ??what rock and roll. If you look at the parents of the genre such as Elvis Presley and Little Richard, they were weird people doing a weird kind of music. It was very rhythmic, shocking, sexual. But many people forgot this and all sense of rock.

G1 – How to analyze the rock scene today?

Spencer – remains the same as always: very few good bands and a lot of bad bands. And iInfelizmente, these artists are more bad play on TV and radio. Because many of them are popular. It is more or less the same process on the food. Consuming McDonald’s turns into something popular. The same is true in art, culture and rock. The music truly innovative, bold, invigorating and bold is very strong. People do not want anything to enjoy this taste. The McDonald’s fast food consumption turns into something popular. The same is true in art, culture and rock. The music truly innovative, bold, invigorating and bold is very strong. People do not want to taste anything that tastes ” Jon Spencer

G1 – Do you think the lack of seriousness on the part of mainstream music with the rock?

Spencer – The rock and roll changed the world. This is already a very serious thing. But if we go back again to Little Richard and Elvis Presley, had a lot of fun at what they did, it was a real joy. And there was a sense of humor. The serious art that was created, but there was this notion of “play” in the process. I think the rock has gained much importance due to the critics and the media. Gained much visibility. As a result, lost focus and a bit of sense.

G1 – The Blues Explosion has existed since 1991. That balance makes these two decades of existence the band?

Spencer – A lot has happened during this period, which is also directly linked to my personal experiences and so many other things. But I think the first 10 years of career were the most laborious and most fertile for us. It was a very productive period. We’ve been very busy. Perhaps because it has passed so quickly. Now older, it’s all very different. We live in a world focused on ourselves, while moving between bands much younger and followed in our footsteps. It’s a little scary to realize the distance traveled on this journey and how hard we work.

G1 – Part of the discography of the band was relaunched recently. Participated in this process? He had to hear all the albums again?

Spencer – Yes, I attended the whole process. It was an incredibly great project and got involved in every detail. I heard not only all the albums again, but everything else we produce, because we have so much extra stuff. I wanted to revive the disks as completely as possible and be able to include everything that was produced at the time the albums were recorded.

G1 – He was willing to move discs while working on them again?

Spencer – No, I think are great albums. Although I am very proud of them. And that is precisely why I made them for reissue. But I had no desire to change anything for the job.

G1 – When the band will release a new album?

Spencer – Since we returned to touring last year, we made a lot of songs. Now we are discussing the possibility of going into the studio and trying to write some of these new songs in some way. I am a guitarist with a very primitive style. In fact, I’m still learning to play guitar ” Jon Spencer

G1 – You are the author of many guitar riffs. Considers himself a “guitar hero”? What were your influences on the instrument?

Spencer – No, I’m a guitarist with a very primitive style. In fact, I’m still learning to play guitar. And my heroes are not only among guitarists but also in many other artistic areas. But perhaps my greatest hero is Link Wray on guitar. And I was very lucky to have played with so many good guitarists in Blues Explosion, Heavy Trash, or in and Pussy Galore.

G1 – What are your memories of times spent in Brazil?

Spencer – I’ve been to Brazil twice. At first, I was with the Blues Explosion, but I do not remember much of this trip. More recently came back with Heavy Trash, I think in 2009. This time I have many memories of fans and in particular the places we played, there are some pretty intimate. I love playing that kind of place, provides different experiences. It was also in 2009 that met Coffin Joe. We actually played a song with him. It was fantastic. He is very sweet (pause). No! No! What I’m saying? Rather, it is very scary. Now my soul is damned forever (laughs). I’m your fan.

G1 – What can fans expect from the Blues Explosion shows this time? It has the repertory idea who will play?

Spencer – We will make every effort to make the best show we can, with much emotion, excitement, sweat. People should come to check. But we do setlist. Usually played songs from all albums, but decided only after the songs go up on stage and captures the mood of the audience. We started it.

G1 – What do you have to say about the tragic death of Amy Winehouse?

Spencer – I’ve never been a big fan, but of course it is a tragedy. It’s a shame that someone so young has died. Actually, it’s bad to lose anyone. I do not know exactly what were the particulars of his death. I have the impression that she had problems. And playing with fire

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